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Existe uma solidão que muitas mulheres sentem depois dos 50 anos e quase ninguém fala sobre ela



Uma vez, uma paciente me disse algo que nunca esqueci. Ela tinha 67 anos: alta, magra, bem vestida, graduada, aposentada e com muitas viagens pelo mundo. Ainda assim, carregava uma dor silenciosa.


Durante uma sessão de psicoterapia, ela me contou que já não conseguia se olhar no espelho. O momento mais difícil era se despir diante do marido. Essa angústia havia começado por volta dos 55 anos e se intensificava a cada dia.


Ela sofria ao perceber as mudanças naturais do envelhecimento: a flacidez, as rugas, os cabelos brancos, as dores musculares. Mas o que mais a incomodava era a flacidez e as celulites. Por mais que usasse cremes ou praticasse exercícios, sentia que nada era suficiente para deter as transformações do corpo.


Naquela noite, ao me olhar no espelho, percebi que eu também tinha flacidez. Nunca fui uma mulher que deixou de se aceitar por causa disso. O que me incomoda um pouco é a papada. Mas aprendi a olhar também para aquilo que considero bonito em mim.


Foi isso que compartilhei com ela: em vez de fixar o olhar apenas no que mudou, tente encontrar uma parte do seu corpo da qual você goste. Pode ser o sorriso, os olhos, as mãos, as pernas ou qualquer detalhe que ainda lhe desperte carinho e admiração.


Às vezes, aceitar o envelhecimento não significa gostar de tudo o que vemos no espelho. Significa aprender a não reduzir nossa identidade às marcas que o tempo deixa no corpo.


O corpo muda. O valor de uma mulher, não.


“O que você pensa sobre isso?”

“Você já passou por algo parecido?”

”Compartilhe com alguém que precisa ler isso.”

”Se precisar de ajuda profissional, entre em contato.”


Rute Borges, psicóloga e escritora

WhatsApp 11-98527-6462 Moema -SP

 
 
 

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